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A mentalidade BIM e a teoria das 10 Dimensões

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Conheça, pense, faça: BIM

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Muito já se ouviu falar em Modelagem da Informação da Construção, ou simplesmente BIM (Building Information Modeling), mas quantos de nós já vivenciamos na prática sua aplicação?

Atualmente, a implantação do BIM talvez seja um dos principais temas para se tratar de inovação e disrupção na construção civil. Nesse sentido, é fundamental para qualquer profissional da área que busque conhecimento e esteja aberto às mudanças propostas por este processo.

Imagem: marwoodconstruction.com

O primeiro passo: Desenvolva a Mentalidade BIM

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Engana-se quem acredita que o maior desafio para o desenvolvimento do BIM no brasil é superar a barreira dos investimentos em tecnologia. Esta é sim parte necessária e fundamental do processo, mas não suficiente. Inclusive, talvez seja o aspecto mais avançado, pois já existem várias ferramentas para criar e gerir o modelo BIM.

Em paralelo, uma mudança significativa de mentalidade de todos os envolvidos em um projeto se mostra igualmente necessária. No futuro da construção civil talvez não haja mais espaços para que os profissionais atuem “cada um no seu quadrado”.

Haverá necessidade de um trabalho ainda mais colaborativo, e o fluxo de informações nas fases de um projeto deverá ser sempre em duas, três, quatro, quantas direções forem necessárias, visando a concepção de um modelo “perfeito”.

E o porquê das palavras futuro, haverá, deverá? Simplesmente porque essa ainda não é uma realidade comum em nosso mercado. Talvez muitos já tenham dado os primeiros passos nessa direção, mas ainda há muito a se fazer, muita margem para amadurecimento dessa metodologia e dos profissionais envolvidos.

Dessa forma, o que podemos chamar de MENTALIDADE BIM surge como um paradigma a ser quebrado, o que, por si só, já representaria uma disruptura processual marcante. Diálogo, integração, capacitação, treinamento, entre outras ações, são ótimas alternativas para tratar deste aspecto importante do desenvolvimento profissional.

Abrindo espaço para reflexão, e considerando o BIM uma ferramenta estratégica para seus projetos e obras: você insistiria apenas no investimento de tecnologias para criação e gestão de modelos BIM?

Imagem: arch2o.com

A teoria dos 10D’s do BIM

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Esta teoria abrange todo o ciclo de projeto e execução de uma construção. Ela está baseada no desenvolvimento de um ciclo que inclui, durante o processo de trabalho, o seguinte tridente: ferramentas, meios e finalidade.

É intuitivo o entendimento deste ciclo, pois o BIM trata de ferramentas digitais de modelagem tridimensional em conjunto com banco de dados de informações, vinculados a uma nova maneira de trabalho baseada em processos colaborativos. E quais são os D’s?


Vejamos com mais detalhes algumas informações sobre cada uma das dimensões.

1D – Uso obrigatório do BIM

Como introdução ao conceito, esta dimensão implica na implantação de protocolos BIM, por exemplo, com a elaboração de leis e contratos determinando uso obrigatório do BIM em obras públicas.

2D – Trabalho Colaborativo

A introdução de fluxos de trabalho colaborativos é a base para o desenvolvimento de todas as outras dimensões, pois envolve novas formas de se contratar e criar compromissos, com soluções integradas de gerenciamento.

3D – Modelagem Digital

Esta dimensão lida com a adição de informação ao modelo tridimensional, tornando possível a verificação de aderência do modelo a requisitos de projetos e normas, assim como a análise preventiva de conflitos geométricos (e não) existentes no modelo, envolvendo as várias disciplinas.

4D – Planejamento (análise da duração)

A análise de um projeto no tempo é dinâmica, portanto, faz-se fundamental o planejamento temporal vinculado a cada elemento modelado, permitindo a verificação de conflitos e otimização das estratégias no decorrer dos processos.

5D – Orçamentação (análise dos custos)

Assim como e junto ao planejamento, a vinculação de custos aos elementos de modelagem permitem as análises não só no desenvolvimento de projeto, como também no decorrer das construções, munindo gestores de projeto e construção com informações para tomada de decisão.

6D – Sustentabilidade

Obviamente um dos grandes desafios do nosso século, a incorporação de soluções sustentáveis deverá se tornar cada vez mais obrigatória aos projetos, com construções focadas na eficiência energética.

7D – Gestão e Manutenção da Construção

Nesta dimensão é preciso realçar que o processo não se encerra na entrega do edifício. Devem ser tratadas as questões de operação e manutenção das instalações construídas, fazendo-se a análise do ciclo de vida do projeto.

8D – Segurança

Para muitos a primeira prioridade, os conceitos de acidente zero, segurança e saúde devem fazer parte de todo o desenvolvimento do projeto, construção e manutenção, possibilitando o debate de soluções para o alcance destes objetivos.

9D – Lean Construction

A nona dimensão é sobre a introdução por completo da filosofia de gestão lean no setor da construção.

10D – Construção Industrializada

E por fim, a industrialização é o objetivo comum das demais dimensões, tornando o setor da construção civil mais produtivo, integrando as novas tecnologias por meio de sua digitalização. Segue o desafio de melhorar a produtividade durante todo o processo – do design ao gerenciamento da infraestrutura.

O objetivo final é alinhar todos os agentes que participam do ciclo de vida de uma obra, visando chegar ao estágio de construção industrializada.

O que você achou desta teoria? Sentiu falta de algum aspecto importante da construção civil que não foi contemplado?

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